Crítica: Guardiões da Galáxia

Guardiões da Galáxia
Por Toni Santos.

 

Talvez a aposta mais inusitada do Marvel Studios até hoje, o filme dos Guardiões da Galáxia atraiu a curiosidade dos fãs desde que foi anunciado. Um grupo de heróis pouco conhecido até dos leitores de quadrinhos mais dedicados, os Guardiões estavam longe de ser a escolha mais óbvia para um novo filme. O resultado final era imprevisível.

Pois bem. Deu certo. Mais uma vez, a Marvel acertou em cheio na adaptação de seu material, levando para as telas os personagens mais carismáticos e intrigantes que você verá em um blockbuster esse ano. Mais do que adaptar os personagens, o filme faz algo raro: adaptar o próprio estilo dos quadrinhos para a tela. Passando longe da seriedade depressiva desnecessária de alguns filmes baseados em quadrinhos – Homem de Aço, estou olhando para você – Guardiões da Galáxia não se leva a sério demais em momento algum, o que destaca muito a personalidade do filme.

 

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A narrativa acompanha as desventuras de Peter Quill (Chris Pratt, da série Parks and Recreation), um menino que foi raptado por alienígenas por razões misteriosas e ao crescer se tornou um pirata espacial. Ao encontrar um poderoso artefato nas ruínas de um planeta destruído, Quill – ou Star-Lord, como ele prefere – dá início a uma disputa acirrada para decidir quem ficará com o artefato. O principal adversário de Quill nesse conflito é Ronan, O Acusador (Lee Pace), um guerreiro da raça alienígena Kree que deseja usar o artefato para destruir Xandar, um planeta que esteve em guerra com os Kree por milhares de anos.

Os aliados de Quill são Gamora (Zoe Saldana), uma assassina que deseja vender o artefato e fugir do domínio de seu pai adotivo, Thanos (Josh Brolin); Drax (Dave Bautista), um presidiário que deseja se vingar pela morte de sua esposa e filha; Rocket (Bradley Cooper), um animal modificado geneticamente para se tornar inteligente; e Groot (Vin Diesel), o segurança de Rocket e o personagem mais gentil e inocente do filme. Embora todos os personagens sejam ótimos e Quill seja definitivamente o protagonista, esses dois – um guaxinim e uma árvore, quem diria – são o coração do grupo.

Guardiões da Galáxia não tenta em momento algum esconder suas referências. Pelo contrário, o filme soa como uma releitura pós-moderna de uma série de grandes clássicos do Space Opera – é fácil ver elementos de Star Trek, Star Wars e obras mais recentes, como o jogo Mass Effect. Mas tudo isso serve apenas de base para construir personagens bem diferentes. Ao mesmo tempo, as referências do filme abrangem a cultura pop como um todo. Destaque para os piratas espaciais liderados por Yondu (Michael Rooker), que trocam a influência pirata clássica por uma clara referência aos marginais londrinos dos filmes do diretor Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes).

 

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Em um filme tão cheio de elementos fantásticos, é o elemento humano que torna a história tão atraente. Guardiões da Galáxia é um filme cheio de humor e que não se leva à sério, ao mesmo tempo em que todos os personagens principais tem elementos trágicos em suas histórias. A sensação que fica é a de que o diretor James Gunn tem como grande influência na exposição de seus personagens o grande John Hughes, responsável por clássicos como Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado. Guardiões em alguns momentos faz pensar, numa analogia meio crassa, no que aconteceria se John Hughes tivesse dirigido Star Wars.

Outro toque de gênio é a trilha sonora, criada a partir de uma mixtape em fita k7 feita pela mãe de Peter Quill e totalmente embalada em clássicos pop dos anos 70 – coincidentemente ou não, a mesma época em que a maior parte desses personagens foi criada nos quadrinhos. Esses clássicos, muitos dos quais todo mundo já ouviu em algum disco antigo da família, ajudam muito a aproximar os cenários e personagens fantásticos do público. Toque de gênio.

 

playlist-guardians-of-the-galaxy

 

O único ponto negativo fica para a decepcionante participação do vilão Thanos, que surge aqui sem nenhum destaque ou relevância, ainda mais considerando que um ator do calibre de Josh Brolin foi escalado para o papel. Essa aparição curta e sem impacto atrapalha um pouco o hype que o estúdio tenta criar em torno do personagem, que provavelmente será o principal vilão de Vingadores 3.

Guardiões da Galáxia é o filme mais “história em quadrinhos” que a Marvel já fez até hoje. As idéias aparecem numa velocidade alucinante na tela, sem maiores explicações ou aprofundamentos – a mensagem parece ser “entre no clima e curta a viagem”. Isso não significa que a ambientação do filme recebeu pouca reflexão, pelo contrário: o diretor sabe que nós já vimos elementos similares em diversos filmes, jogos e quadrinhos. Ao invés de perder tempo explicando o que já sabemos, ele se foca no que é diferente, no inusitado. É um filme cheio de personagens esquisitos e apostas arriscadas, fora do padrão. Quem deseja o mesmo blockbuster ligue-os-pontos sem carisma de sempre, melhor assistir Transformers.

E como não poderia deixar de ser, há uma cena pós-créditos. Ninguém sabe se isso indica alguma loucura da Marvel no futuro, mas é fato: os espectadores na faixa dos 30 anos, consumidores ávidos de Sessão da Tarde e similares, vão se divertir com essa cena.

Guardiões da Galáxia já pode ser visto em cinemas de todo o Brasil. Confira o trailer abaixo:

 

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Author: Popground

Ao Infinito... e Além. popground@popground.com.br

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