Poptalk: Girl Power! Personagens femininas nos games de luta

personagens femininas nos games

Por Carolina May

Dominado por personagens masculinos, o universo dos games é composto por heróis, vilões, lutadores e aventureiros. No entanto, este cenário tem mudado. Nos últimos anos, o público feminino vem se mostrado cada vez mais presente, e com isso as personagens femininas vêm ganhado maior destaque.

O tradicional perfil de donzela em apuros é coisa do passado. Hoje, as características físicas de nossas heroínas têm ficado em segundo plano, dando lugar à evolução de suas psiques e personalidades. Um exemplo é a Lara Croft, protagonista de Tomb Raider.

Este trabalho dos produtores em desenvolver as personagens femininas acontece mais em jogos de aventura e gêneros similares. Mas e as mulheres dos games de luta? Também são tão trabalhadas?

Eu pratico a arte da jogatina desde pequena, e adoro os jogos onde as personagens femininas se destacam.  Elas são marcantes, poderosas e influenciadoras. Desde os tempos de infância, o meu gênero favorito é o de luta. Um dos primeiros jogos com o qual tive contato foi o sanguinolento Mortal Kombat (o Trilogy, para ser mais específica) e foi paixão imediata. A brutalidade, o sangue e o realismo despertaram um fascínio muito grande em mim, especialmente pelo fato de haver mulheres, que apesar de sensuais, eram tão brutais quanto os ninjas da franquia.

Uma característica dos jogos de luta são as mulheres de corpos voluptuosos e roupas minúsculas. Vejo em diversos grupos nas redes sociais em que garotas debatem sobre esta hipersexualização das personagens femininas, e o grande incômodo que os trajes lhe causam.

Toda vez que via um post a respeito, eu me questionava se somente eu não via problema nos trajes de Mai Shiranui (The King of Fighters), Cammy White (Street Fighter), Felicia (Darkstalkers) e de outras “musas”.

É óbvio que esta hipersexualização se dá pelo fato do universo dos games ser originalmente voltado ao público masculino (mesmo que essa tendência esteja mudando). As roupas femininas ressaltam beleza e sensualidade. Em contraponto, os trajes masculinos ressaltam virilidade e força.

Mas as roupas possuem somente esta finalidade. Elas nada dizem a respeito do potencial das personagens. Muitas destas figuras sexualizadas (cito novamente a Felicia) apesar da aparente fragilidade, demonstram ter o mesmo potencial (ou mais) que os homens para vencer uma luta. O que dizer da Mai Shiranui? Ela é uma personagem extremamente ágil e habilidosa. Eu inclusive prefiro estas personagens mais “peladas”, não só pela aparência, mas por elas serem mais leves e melhores para lutar.

Decidi então perguntar a algumas amigas gamers o que elas achavam das personagens femininas presentes nas franquias de porradaria. Das cinco amigas com quem conversei, apenas uma disse se incomodar com os visuais hipersexualizados. As demais acreditam que o visual apelativo além de representar beleza, diz muito sobre o estilo destas personagens. E a beleza conta muito como um dos fatores na hora de escolher um personagem para jogar. Personagens como Mai Shiranui, chamam mais a atenção do que as clássicas colegiais, como Athena Asamiya (The King of Fighters). E eu penso como elas.

Os visuais apelativos das mulheres (especialmente as personagens dos jogos de luta) dividem opiniões, mas acredito que boa parte do público feminino não se incomoda com a questão. Diversas garotas ao redor do mundo reproduzem estas personagens hipersexualizadas através de cosplays. Não haveria representantes de tais personagens se elas causassem tanto incômodo, não é?

O fato de haver mulheres tão lindas, poderosas e capazes de conduzir suas próprias histórias como os homens no universo dos games, já diz muito sobre a questão da representividade do público feminino. Independente do tamanho do traje e do decote, as mulheres se garantem e muito, muitas vezes sem descer (literalmente) do salto alto.

E para finalizar: Dentre tantas mulheres incríveis neste imenso mundo dos videogames, eu gostaria de destacar a minha favorita: General Sonya Blade, do Mortal Kombat. A primeira, a única mulher que esteve presente num torneiro que definiria o destino do nosso mundo desde o primeiro título da franquia.

Uma personagem forte, brutal e de postura firme (e que também não escapou das mudanças apelativas em seu visual ao longo dos jogos), que se garante diante de qualquer monstro de quatro braços ou feiticeiro. E mostrou que mesmo 25 anos mais velha em Mortal Kombat X (2015), continua dona de personalidade forte e que manda em todo mundo.

Carolina May é jornalista, colecionadora de quadrinhos, fã de games, terror e aspirante a cosplayer.

Compartilhe!
Popground

Author: Popground

Ao Infinito... e Além. popground@popground.com.br

Share This Post On

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>