Pop-talk: o caso boicote Star Wars

Troll Trooper: um inimigo muito pior do que o Império.

Troll Trooper: um inimigo muito pior do que o Império.

Essa é a estreia do Pop-Talk, seção mais ou menos fixa que pretende fazer uma análise sobre assuntos relativos ao universo pop. E o tema da primeira matéria não poderia ser outro que toda a polêmica envolvendo o boicote Star Wars: O Despertar da Força.

Para quem não andou acompanhando, depois da exibição do novo trailer do filme durante a partida do Philadelphia Eagles contra o New York Giants pela NFL, mensagens racistas começaram a surgir no twitter contra o filme, junto da hashtag #boycottstarwarsvii.

As mensagens criticavam o fato de um ator negro (John Boyega) ser um dos protagonistas ao lado de uma mulher (Daisy Ridley) e sobrou até para o diretor J. J. Abrams, chamado de judeu que odeia brancos.

Sim, o teor das mensagens era completamente absurdo e a hashtag começou a se espalhar. E não demorou muito tempo para surgirem as primeiras matérias na imprensa sobre um “movimento” racista boicotando o filme.

Movimento?

Indo mais fundo na questão, o site Mashable resolveu analisar o ponto zero das mensagens: dois sujeitos repetindo a hashtag em suas timelines, como crianças gritando para chamar a atenção. Logo alguém percebeu o barulho e reproduziu a hashtag para criticar os sujeitos. Outras pessoas também viram e usaram a mesma hashtag para fazer uma crítica ao racismo.

Em pouco tempo, os críticos ao boicote Star Wars transformaram o tal boicote num dos assuntos mais comentados do twitter. E uma das máximas da internet foi esquecida no meio do processo: não alimente os trolls.

De forma resumida, troll é um termo criado na Usenet (a mãe da Internet) para pessoas cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer os envolvidos.

Ninguém sabe porque os usuários da Usenet começaram a chamar os espíritos de porco da rede de trolls. Isso provavelmente deve ter relação com uma lenda nórdica sobre um encontro entre Odin e o Rei dos Trolls. Odin perguntou o que era preciso para que a ordem vencesse o caos. O Rei dos Trolls disse: “me dê um olho seu que eu lhe digo”. Odin arrancou um olho e entregou ao Rei dos Trolls, que respondeu : “o segredo é manter os dois olhos bem abertos”.

Mas voltando ao assunto: dois desocupados conseguiram se transformar num “movimento” organizado porque nos atuais tempos de ativismo de sofá, as pessoas simplesmente não poderiam ignorar uma mensagem de ódio. Mas foram as críticas aos caras que transformaram o assunto numa discussão a nível mundial. E era exatamente isso o que eles queriam desde o começo.

Lógico que eles tiveram ajuda. Os usuários do fórum de discussão 4Chan, um lendário ponto de encontro de trolls, resolveu ajudar a espalhar a hashtag apenas para ver o circo pegar fogo. E também vamos ter racistas reais que acreditaram em toda essa palhaçada, mas é interessante notar que eles são a minoria da história.

No fim de tudo, ficam as lições de sempre: a imprensa deveria se preocupar em apurar os fatos antes de escrever qualquer coisa em troca de visualizações. E a máxima de não alimentar os trolls continua.

Tudo o que esses sujeitos procuram é chamar a atenção. Portanto ignorar esses loucos continua sendo a arma mais eficaz para impedir que bizarrices como o #boycottstarwarsvii se espalhem.

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Author: André Morelli

Vida louca e próspera. morelli@popground.com.br

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