Entrevista com Rincon Sapiência “Manicongo”

Não é de hoje que Rincon Sapiência vem chamando a atenção no cenário musical. Depois de Linhas de Soco e Ponta de lança, o rapper da zona leste de São Paulo lança seu mais novo projeto: Galanga Livre.

entrevista rincon sapiencia

(capa do álbum: Galanga Livre)

O álbum conta com a coprodução musical, mixagem e direção do experiente William Magalhães (Banda Black Rio), união que conferiu o equilíbrio entre a ancestralidade e o moderno. Masterizado por Arthur Joly (Reco-Master) “Galanga Livre” exalta sonoridades das raízes africanas, combinadas com letras que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência no Brasil contemporâneo. Lançado pelo selo Boia Fria Produções, o conjunto da obra rendeu as bênçãos de três grandes referências de Rincon Sapiência, os rappers Xis, Mano Brown e Black Alien.

Conseguimos bater um papo com o rapper para falar de seu último trabalho, carreira, referências na música e na cultura pop. Confira abaixo!

Danilo A. Ambrosio é seu nome de batismo, mas Rincon Sapiência é como todos te conhecem. De onde surgiu seu nome artístico? E como surgiu seu segundo pseudônimo Manicongo?
Meu nome artístico surgiu por conta do jogador do Corinthians, Freddy Rincón. A galera do bar da minha rua dizia que eu tinha semelhança com ele (risos). Em se tratando de rap eu sempre achei que faltava algo, não me sentia confortável só com um nome, até ver uma definição (para Sapiência) que falava sobre o conhecimento das coisas divinas e humanas e a partir daí achei que tinha a ver comigo e com minha vivência através de religião, coisas espirituais e sociais, na minha crença em carma e em extraterrestres e uma séries de coisas existenciais. Manicongo veio de uma pesquisa, pois muito se fala do continente africano associado a escravidão e pra mim foi uma novidade ter conhecimento de que em determinados momentos os negros faziam parte de impérios ricos e sábios, como os antigos egípcios (negros), que eram muito avançados tecnologicamente e no Congo, onde os reis eram chamados de Manicongo, daí que surgiu o nome.

 

Em seu último trabalho, Ostentação à Pobreza, você faz um relato da vida do morador da periferia, principalmente os mais distantes do centro que ainda sofrem com falta de estrutura, saneamento e condições básicas. Como você enxerga uma solução por parte do governo e como esses moradores podem melhorar a cobrança por esses recursos?

A música Ostentação à Pobreza tem que ser avaliada de vários pontos de vista. O primeiro é que nos últimos anos dados apontam que ainda há um desequilíbrio social muito grande no Brasil, ao mesmo tempo em que as classes mais pobres passaram a ter mais poder de consumo e mais acesso a informação, a ocupar mais espaços em universidades nos últimos anos. Em contrapartida, existe uma realidade não divulgada pelos grandes meios de comunicação e até em mídias sociais, de pessoas que não vivem nos grandes eixos como São Paulo e Rio de Janeiro, que vivem uma realidade de quilombolas, em aldeias indígenas que acabam sendo invadidas por latifundiários, que não têm acesso a informação, que vivem com R$3 por dia, isolados literalmente, assassinados diariamente, vivendo numa realidade diferente de outras periferias, de pessoas como eu que conseguiram ter acesso a melhores condições. A ideia dessa música foi dar voz às pessoas que vivem nessa situação, trazer um pouco dessa realidade pouco divulgada.

(imagem do clipe: Ostentação à Pobreza) - Rincon sapiencia

(imagem do clipe: Ostentação à Pobreza)

 

Dia 25 de Maio foi lançado seu novo trabalho, Galanga Livre, nas plataformas digitais. Gostaria que falasse um pouco do processo criativo do álbum e quais foram suas influências. Por que o nome Galanga Livre?

O álbum Galanga Livre foi a princípio um processo sobre músicas do meu cotidiano, pois com a democratização e acesso aos equipamentos, ficou mais acessível o trabalho que eu também faço de produção, pós-produção e pesquisa. Surgiu a ideia de fazer um disco em que o William Magalhães (Banda Black Rio) pudesse mixar, dirigir e co-produzir, nós fizemos uma audição e escolhemos 17 faixas para esse trabalho, todas essas faixas já gravadas e produzidas por mim. Ele ouviu, achou interessante e falou que faltava aquele toque de alta qualidade para o trabalho ficar ainda melhor e foi nesse processo que ele entrou no projeto.

O nome Galanga Livre vem por conta da faixa Crime Bárbaro, que foi a primeira que mixamos e trabalhamos, faixa que também trouxe mais energia pro disco. Ela traz a história de Galanga, um escravo que mata o seu senhor de Engenho e a partir disso passa a viver um momento de fuga onde leva um sentimento de heroísmo por ter matado o Senhor de Engenho, mas também de medo por ter que fugir dos capangas. Isso traz uma reflexão sobre os dias de hoje, pois essa música é sobre um conto fictício, mas, se a gente pensar, ainda falta muito para conquistarmos como homens pretos e mulheres pretas. Há pessoas numa posição melhor, de maior auto estima, de mais orgulho, de mais acesso, ocupando mais lugares, então para a gente chegar nesse estado de vida hoje, do qual a gente protagoniza o nosso rap, a gente produz nossas coisas, somos empreendedores, assumimos o protagonismo de uma série de coisas, tiveram que existir “Galangas” no passado, que foram livres, se rebelaram à sua condição e assim trazendo uma das reflexões de que hoje em dia eu posso me sentir um herói, posso me sentir orgulhoso, sem ter que fugir de ninguém, sem ter que ter medo, ter autoconfiança, acho que esse é o espírito do álbum Galanga Livre. Daria para filosofar sobre uma série de coisas em torno dessas 12 faixas mas basicamente é isso, fala muito sobre liberdade e como esse momento que a gente vive hoje foi construído por personagens em tempos antigos de escravidão.

 

No single “Linhas de Soco” você diz: “Xis é rei e eu sou sucessor do trono”. Você se considera um grande expoente na cultura do Rap nacional?

Lógico que existem outros grandes expoentes no rap nacional, numa escala muito maior que a minha, mas eu me sinto um grande expoente no cenário rap brasileiro sim. Muito por conta da vanguarda também, de trazer coisas que não foram exploradas em nenhum outro momento.

Quando eu lancei Elegância em 2010, poucas pessoas faziam rap dessa forma, com base eletrônica, com os timbres de bumbo mais graves, sintetizadores e pitch distorcendo a voz e essa linguagem que eu trouxe era inédita. Houve uma grande repercussão por ter sido um dos primeiros trabalhos e muito do que eu fiz assim ao longo da caminhada, mesmo com muita gente vendo ou não, era algo bem vanguardista por trazer percussões, africanidade. Lógico que o Z’áfrica Brasil já fez isso, outros artistas já fizeram, mas a forma que eu fazia era diferente, e é essa referência que eu falo do Xis. Porque o rap da zona leste tem suas características, fala muito sobre a rua, a periferia, mas tem uma energia diferente, não diz respeito a ser melhor ou pior mas sim sobre essa energia de descontração, referência de futebol, etc. Sempre foi presente no rap a parte ácida da rua, do crime da polícia, mas os rappers da zona leste sempre trouxeram outros pontos de vista sobre a rua e eu acho que o grande expoente dessa característica é o XIS que é um grande ídolo, um cara que tem dois discos maravilhosos (Seja Como For e Fortificando a Desobediência).

Hoje em dia eu posso dizer que tenho um disco “massa” assim, que é o Galanga Livre e para eu me sentir parecido com o que foi arquitetado pelo XIS eu preciso de mais um disco, de mais coisas na rua. Então essa é a referência das minhas rimas, aliás, eu tenho trabalhado para construir algo no nível que ele construiu, mas de qualquer forma só o fato de ser relevante dentro do cenário nacional já me contenta bastante.

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(Xis)

 

Em suas letras você exalta a cultura do MC (Mestre de Cerimônia) e em algumas entrevistas você diz que atualmente os rappers se destacam mais que suas músicas e muitos são fãs da pessoa e não das rimas. Como você enxerga o cenário do Rap (nacional e mundial) e quais os artistas que você considera bons letristas e rimadores?

Eu trouxe essa provocação sobre a cultura do Mc na música Ponta de Lança pois meu ponto de vista foi justamente esse: eu via muitos memes em torno do que o rapper faz (não estou condenando, eu acho divertidíssimo), o que ele usa, do personagem do rapper e não do que propriamente eles vinham escrevendo. Então eu comecei ver que estava rolando uma onda de coisas que valorizam a rima e a técnica, comecei a enxergar que estava rolando essa carência das pessoas apreciarem ou estarem ligadas a coisas que caracterizam mais o Mc do que o simples fato dele fazer rap.

Porque uma coisa é o rapper, e quando a gente fala rapper é como o cara que faz samba, que é o sambista, outra é quando a gente tá falando sobre a qualidade do Mc, que é sobre o que ele faz na hora que escreve, o que ele faz ao vivo, o que ele faz como técnica, como flow, como estética de linguagem, a parte criativa do rapper e então eu comecei a ver que isso estava acontecendo não só no rap brasileiro, como no rap gringo também. Fiz Ponta de Lança sem refrão, como verso livre, sem ter um tema como a própria parada sugere e  acho que eu acabei contribuindo sim, de forma muito positiva, para a cena hip-hop, pois instigou as pessoas a quererem se superar no que diz respeito à escrita, técnica, flow, a forma de encaixar as palavras. Hoje eu já vejo um panorama diferente, inclusive já escutei várias outras músicas sem refrão, de verso livre, depois que saiu Ponta de Lança. Se hoje as pessoas estão mais preocupadas com a parte da caneta, acredito que o meu trabalho acabou contribuindo para essa realidade atual.

 

Mudando um pouco de assunto, é comum ouvir em suas letras referências a cultura pop como games (“Cuspo fogo, Dhalsim, no Street Fighter”), desenhos, filmes (“Na rima, Jackie Chan, na Hora do Rush”) e quadrinhos (“Microfone é que nem o coelho na mão da Mônica”) em suas letras. O quanto esse universo fez e faz parte da sua vida? Até hoje você é próximo de games, quadrinhos e outros?

Tirando o futebol, por muito tempo os quadrinhos, games e a cultura pop eram o meu entretenimento maior. Eu vivia numa locadora de games na Cohab, colava lá para alugar fita ou para trocar ideia mesmo, o dono de lá (Jean) até hoje fica falando de games, dos lançamentos, do que está por vir. Fora isso eu também vivia nas bancas de jornal, eu me amarrava nas revistas Super Game Power, Videogame, Herói (que falava mais sobre anime), quadrinhos, Cavaleiros do Zodíaco, Shurato ,Yu Yu Hakusho, Doug e tudo mais. Tinha um cara ali perto do metrô Artur Alvim, chamado Gibi, que tinha uma banca onde vendia gibis usados e por ser mais barato, comecei a ler uma parada regularmente (tipo o Batman que comprava todo mês), aí quando enjoava, eu ia lá e vendia, ficava só com volume 1 para guardar relíquias, ou trocava por outro quadrinho.

Durante muito tempo meu entretenimento passava muito por isso ou então era na rua com futebol. Lógico que teve grafite e pichação, skate, que eu não me dei muito bem, tentei fazer outras coisas na rua, mas o futebol era sempre em primeira instância. Fora isso tinha esse meu lado nerd mesmo que era de games, jogos, quadrinhos. Eu me amarrava em desenhar também. E depois que você passa a se tornar um artista e se reconhecer como artista, você vê que toda essa história tem a ver, eu falando disso nas letras ou não. O contato com esse universo ajuda você a ter criatividade, criar roteiros, criar histórias e botar a imaginação para aflorar. Muito do que foi dito, foi destravado através dos quadrinhos, dos games e o pouco que eu sei de inglês passa muito por isso, por vídeo game e jogos de RPG (risos). Então eu diria que essa cultura pop tem uma influência total no meu trabalho.

 

Hoje em dia, assim como o rap, o quadrinho nacional vem ganhando mais destaque a cada dia. Como você vê essa aceitação de mais pessoas às duas culturas (rap e quadrinhos) e qual relação você consegue ver entre as duas?

A relação que eu vejo do rap com os quadrinhos é a narrativa, as histórias, tem tudo a ver sim. A diferença das duas é a linguagem, uma é visual e a outra é musical. Mas, fora isso, são dois universos que têm muitas semelhanças, até porque eu li muito quadrinho do Spawn, por exemplo. Antes de se tornar um anti-herói ele era um cara que vivia no gueto, ele era um cara preto, um soldado e algumas histórias até passavam por questões raciais. Quem desenhava era o Todd Mcfarlane, que tem um traço bem caricato e no rap é igual. Você escuta minha música e eu tenho um flow bem caricato, a minha forma de rimar, minha forma de contar história.

E se você já pega o Rodrigo Ogi, ele tem a forma dele e a característica vocal dele de por voz, a característica dele de contar história. E assim é o Emicida, assim é o Raphão Alaafin e tantos outros artistas, cada um tem seu traço para criar histórias. Em resumo, rap e quadrinho tem tudo a ver, estou feliz demais com a alta de trabalhos nacionais que vem se expandido e também os desenhos animados. Eu, particularmente, ainda prefiro as animações em 2D como O Irmão do Jorel, uma produção nacional que eu acho de alto nível, com roteiros muito bons e desenho muito bons, divertidos e bem feitos.

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Na capa de seu novo trabalho você está usando saia e em suas letras você diz que se considera estiloso. A moda faz parte de seu dia-a-dia? Ainda no assunto, você acha que o uso de uma peça de roupa ainda considerada feminina ajuda a desmistificar a moda de gênero?

Sim, a moda faz parte do meu dia-a-dia. Recentemente eu adquiri um relógio e alguns anéis que peguei na parte feminina de um brechó, mas a partir do momento que estou usando tudo isso e que as pessoas falam “Olha esse nego estiloso, ó os anelzão dele e tal…” que a questão gênero perde força, tudo é uma questão de visão, de você olhar para peça e ver se a peça combina com seu corpo, com o que você fala, com o que você quer representar, então isso vai além, “saca?” Eu conheci essa tendência há alguns anos atrás, quando comecei com essa história de brechó, eu gosto muito de coisas com cores quentes, tenho um blazer vermelho que eu falei “uau, olha esse blazer vermelho se eu for comprar e tal…” aí comprei uso ele até hoje e agora eu consigo identificar que é um blazer feminino, mas isso se aplica na minha representação, de eu gostar de cores quentes, de vestir bem no meu corpo, então a questão do gênero não interfere e querendo ou não também contribui para as questões de gênero, de orientação sexual, que dentro do cenário Rap ainda é muito careta. Não quis “pegar” e fazer algo só para me mostrar, até porque a saia é uma roupa que eu uso e já usei em outras ocasiões, mas acaba contribuindo com esse alerta para questões de gênero, homofóbicas e tudo mais.

Então junta as minhas referências de moda como contribuição para assuntos que eu acho relevantes, tudo e se tornou considerável para eu me apresentar na capa do meu primeiro álbum.

 

Tem intenções de lançar uma linha de roupas assim como a Laboratório Fantasma, marca do Emicida?

Eu tenho vontade sim de lançar uma linha de roupas, inclusive eu tenho todo um projeto, algumas coleções. O nome da grife é Kitmani e já tem algumas peças que por enquanto são únicas e exclusivas minhas, que quando uso as pessoas já me perguntam, se interessam bastante. Em alguns vídeos e shows eu visto essas peças.

Como inevitavelmente será um trabalho que estará atrelado a minha música, acho que as duas coisas devem estar com o mesmo nível de apresentação ou no mínimo parecido. Não queria que meu trabalho com  música fosse altamente profissional e meu trabalho com moda fosse um pouco mais informal, pois a ideia é que fosse uma grife com um trabalho visual legal, com um canal legal para que as pessoas possam conferir as peças e adquirir. Meu lado virginiano faz com que, por enquanto, ainda não esteja nas ruas, mas eu sempre dei esse parâmetro de falar “Pô, quando o disco estiver rodando será o melhor momento para veicular a grife”. Eu acho que o momento chegou. Então, o mais breve possível, estaremos com tudo funcionando. Kitmani terá suas primeiras coleções pensadas e desenhadas por mim, pelo menos essas primeiras peças. Espero que as pessoas consumam e gostem bastante.

 

Como você enxerga a importância da moda em geral (roupas, cabelo, estilo) como meio para ajudar a auto-estima dos negros nos dias de hoje?

Acho que uma das formas de se reconectar com nossas origens passa pela história, pela leitura, documentários, estudo de processos antigos para conseguir entender o agora. História é uma das partes fundamentais da nossa reconexão com nossas raízes, um fator que muitas pessoas tentam colocar como fútil, mas na verdade é de extrema relevância que é a parte estética.

Estive com um amigo angolano que veio para São Paulo e ali nas proximidades da Galeria (do Rock) viu aquela rapaziada preta, os bailes da Discopédia, os cabelos afros, as tranças, turbantes, batas, e falou como ele tem visto mais dessas referências aqui no Brasil do que no próprio país dele. E isso mostra como a gente tem se conectado com nossas raízes através da questão estética. E a partir do momento que a gente faz essa reconexão aderimos a uma estética preta mais antiga, mais ancestral. A partir disso passamos a nos achar bonitos e isso mexe com várias áreas do nosso consciente e inconsciente, fazendo com que a gente comece a se comportar de forma diferente perante a sociedade.

 

Hoje em dia a questão do empoderamento das mulheres negras tem uma militância muito forte e evidente, ao contrário do homem negro. Você como artista enxerga que falta essa frente de empoderamento do homem negro? Se sim, o que falta para o homem negro se empoderar de forma semelhante às mulheres, sem cair em práticas machistas e sexistas?

O processo de evitar práticas machistas e sexistas se aplica a todos os homens, nenhum homem no mundo deve se abster dessa responsabilidade. Eu achei muito interessante essa pergunta sobre o empoderamento das mulheres ser maior do que o dos homens, porque quando eu penso em pessoas que estão bem “linha de frente” no assunto me vem na cabeça várias mulheres, mas em contrapartida, o empoderamento tem várias camadas hoje em dia, o que é muito comum, tanto por homens como por mulheres, é o fato dos negros terem acesso às mídias sociais e, por exemplo, postarem uma foto de um corte de cabelo novo ou de uma roupa nova e esse post vir acompanhado da #empoderamento. Isso de fato é empoderamento.

Mas, a palavra em si remete a poder e poder tem muito a ver com protagonismo. Acho que nós temos mesmo esse poder quando conseguimos nos amar, ter auto-estima, ter conhecimento e ter dinheiro também. Consegui estar na “linha de frente”, na “ponta da lança”… é difícil responder essa pergunta (risos). Às vezes podemos ter a impressão que estamos empoderados, que já era, que está tudo certo e na verdade empoderamento é um processo. Quem ainda está manuseando  a “máquina” não é a gente, pretas e pretos, ainda estamos mais na condição de espectador, por mais que o nosso protagonismo tenha aumentado. Acho complexo esse filtro sobre se tem mais mulheres ou mais homens empoderados. O que é certo é que nós homens temos que nos preparar e ter mais sabedoria para desconstruir esse machismo que está instituído. Eu não saberia te dizer qual lado está mais empoderado e talvez nem seja o caso saber. Acredito que somos mais fortes indo em blocos, unidos na mesma causa sempre.

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O álbum Galanga Livre já está disponível nas plataformas digitais e na versão física chega às lojas dia 15 de junho. Conheça mais sobre o trabalho do rapper em http://www.rinconsapiencia.com.br/ e confira o clipe de Ostentação à Pobreza no vídeo abaixo.

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Henrique Oliveira

Author: Henrique Oliveira

Nerd e sonhador que ama games e quadrinhos (e doces). Mais em @preto_geek

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