Resenha: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Valerian

Ground Control to Major Tom

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É ao som de Space Oddity de David Bowie que somos apresentados ao universo futurístico de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, adaptação cinematográfica da HQ Valerian, criada em 1967 por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières. O novo filme do diretor Luc Besson (O Profissional, O Quinto Elemento) é o mais caro da história do cinema francês, custando cerca de US$ 210 milhões, e aposta todas as suas fichas em efeitos especiais deslumbrantes, fotografia colorida e própria de Besson, inúmeras raças alienígenas e cidades futurísticas (Impossível não lembrar de O Quinto Elemento).

O prólogo nos explica a origem de Alpha, a Cidade dos Mil Planetas do título e os acontecimentos no remoto planeta Mül, para só então sermos apresentados ao protagonista, o Major Valerian (Dane DeHaan) e a Sargento Laureline (Cara Delevingne), que estão no meio de uma missão para recuperar um artefato roubado, que mais tarde descobriremos estar conectado aos acontecimentos do prólogo, fazendo com que o casal compreenda que sua missão é na verdade muito maior (e humanitária) do que imaginavam. Dito isso, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas tem a fórmula exata para ser um dos maiores blockbusters do ano e da ficção científica da última década, exatamente como fora sonhado por Besson, desde a sua infância. Mas isso faz dele um filmaço? Infelizmente não.

O roteiro, escrito pelo próprio Besson, possui uma trama simples desde o seu início, mas se arrasta por longas duas horas e dezessete minutos, repleto de mini plots completamente desnecessários e que em nada se relacionam com a história principal, dando a impressão de que existem apenas para nos deslumbrar com o universo no qual se insere. Talvez a falta de foco da narrativa ficasse menos cansativa se o casal de protagonistas fosse mais carismático, mas o Valerian de DeHaan mais parece uma mistura mal feita de Han Solo com Pepe le Pew (aquele gambá francês dos Looney Tunes, que passa 100% do seu tempo assediando a gata Penelope) e Cara Delevingne deixa claro que não é (e nem se esforça para ser) atriz e ponto.

A química entre eles até existe, mas nada que faça o espectador torcer pela dupla. Há também um grande problema com o vilão (sem spoiler) que não convence, em parte pela canastrice e em parte pela vilania atrapalhada e infantil. A boa surpresa é Rihanna com sua alienígena Bubble, em uma participação simples e apaixonante.

Valerian divide portanto as opiniões da crítica e do público e dizer se a produção é, de fato, boa ou não, vai depender do envolvimento de cada espectador com o filme. Talvez um olhar mais lúdico releve os problemas com o roteiro, transformando o filme em uma ação espacial simpática e divertida. Para tirar a prova, escolha uma sessão em 3D e vá sem grandes expectativas.

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Natália Borges

Author: Natália Borges

Louca por filmes, séries, teorias da conspiração e coxinha de frango com catupiry.

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