Resenha – Thor Ragnarok

Thor Ragnarok

Por Antonio Santos

Vamos encarar os fatos: de todos os filmes da Marvel, os filmes solo do Thor figuram facilmente entre os menos interessantes. O primeiro, dirigido pelo shakespeareano Kenneth Branagh em 2011, era uma aventura descartável que teve como únicos destaques reais a apresentação do carismático Loki de Tom Hiddleston e a apresentação do Thor de Chris Hemsworth antes do filme dos Vingadores (2012). Já o segundo, dirigido por Alan Taylor em 2013, abandona a zona da mediocridade e mergulha de cabeça no abismo dos filmes ruins, trazendo um visual morto, um elenco apático – em especial uma Jane Foster (Natalie Portman) que declaradamente não queria estar ali – e uma história qualquer nota.

É nesse cenário desolador para os fãs que entra o diretor neozelandês Taika Waititi (do divertidíssimo O Que Fazemos nas Sombras, de 2014). Com uma carreira dedicada quase exclusivamente a comédias indie cheias de estilo, inteligência e sensibilidade, a seleção do diretor indicava que a Marvel apostaria num caminho diferente, talvez até autoral, para o que talvez seja o último filme do Thor.

Essa aposta se concretiza em Thor Ragnarok, a sátira alucinada de filmes de super-heróis que consegue dois feitos quase contraditórios: ser o melhor filme do Thor e o pior filme de Waititi.

Na história, Thor é confrontado por Hela, a Deusa da Morte (Cate Blanchett, em uma interpretação espetacular), que retornou de um longo exílio para dominar Asgard. Derrotado, o Deus do Trovão é arremessado para o planeta Sakaar, controlado por Jeff Goldblum vestido de Grão Mestre. Lá, Thor se torna um gladiador, conhece a Valquíria (Tessa Thompson) e encontra seu colega de superequipe, o Hulk (Mark Ruffalo), que estava desaparecido desde Vingadores: A Era de Ultron (2015).

O filme acerta em todas as suas cenas de ação, onde todo o exagero visual funciona de forma incrível, no que talvez sejam as cenas de combate mais super-heróicas dos filmes Marvel. Vemos Thor espancando dragões e demônios, deuses asgardianos com metralhadoras, combates aéreos incríveis, tudo isso marcado por referências visuais constantes a grandes artistas dos quadrinhos, como Walt Simonson e Jack Kirby. Ragnarok começa com a paleta de cores de Guardiões da Galáxia e vai além, sendo ainda mais intenso – cada frame, uma pintura digna de álbuns conceituais de Metal dos anos 1980.

É no humor que o filme começa a derrapar. O que fica evidente ao longo da exibição é que o fato de ser o último filme de uma trilogia atrapalha a obra. Temos um elenco que foi herdado de outros filmes, com atores que não funcionam dentro desse novo estilo – o Loki de Hiddleston está completamente perdido e sem brilho no filme, além de termos novamente um enorme desperdício do talento de Anthony Hopkins no papel de Odin, o único fato que se repetiu em todos os filmes do Thor. Já outros atores funcionam bem aqui – é evidente que Tessa Thompson e Cate Blanchett adoram seus papéis, roubando a cena sempre que aparecem.

Outro problema gerado pela continuidade é de caracterização. Os filmes de Waititi sempre apresentam adultos com comportamento infantilizado, meio ingênuo, o que é parte do charme dos seus filmes. Mas quando já tivemos meia dúzia de filmes com esses personagens, em caracterizações bem menos exóticas, é difícil conciliar.

Por fim, os ganchos emocionais. O filme trabalha com alguns elementos dramáticos que são importantes para a história. Mas por conta do ritmo frenético, nenhum deles funciona. A filme apresenta uma série de mortes que tornariam o filme muito mais impactante e memorável se tivessem tempo de tocar o espectador. Infelizmente, isso não ocorre. E tome mais uma piada.

Thor Ragnarok é um filme divertido, que realiza parcialmente suas pretensões de sessão da tarde dos anos 1980, mas falha em ser realmente memorável ou marcante. É o melhor filme do Thor, mas convenhamos… isso não era algo difícil de atingir.

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Author: Popground

Ao Infinito... e Além. popground@popground.com.br

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