Resenha: RIVERDALE (1ª Temporada) | Popground

Resenha: RIVERDALE (1ª Temporada)

Riverdale

Um grupo de amigos, mistérios em uma cidade pequena nos EUA e problemas tipicamente adolescentes. Quem olha essa receita clichê agrupada, logo imagina mais um filme ou série sem graça e superficial. Mas podemos tirar grande proveito e pontos positivos de Riverdale, nova série do canal The CW que utiliza o conceito do drama adolescente para falar sobre questões mais profundas. 

Criada pelo roteirista de quadrinhos e produtor de TV Roberto Aguirre-Sacasa (Supergirl), o seriado é uma espécie de versão modernizada de Archie, a clássica série em quadrinhos publicada desde 1941 e considerada uma verdadeira instituição norte-americana. Fugindo dos ingênuos quadrinhos originais, a trama de Riverdale apresenta um grupo de jovens que tenta lidar com conflitos típicos da idade, quando a misteriosa morte do estudante Jason Blossom (Trevor Stines) afeta a vida da cidade inteira. 

Apesar de ser pouco conhecido, o elenco da série apresenta um bom trabalho e conta com KJ Apa (Archie Andrews), Lili Reinhart (Betty Cooper), Camila Mendes (Veronica Lodge) e Cole Sprouse (Jughead Jones). Aliás, se você leu este último nome e não achou estranho, você está certo. Cole é famoso por seu papel como um dos gêmeos de Zack e Cody, série da Disney que fez sucesso entre 2008 e 2011. 

Com uma mistura de Gossip Girl, Pretty Little Liars e Twin Peaks, Riverdale nos leva a discutir e refletir sobre temas como assédio sexual, bullying, problemas familiares, corrupção e homossexualidade; todos tratados com certa profundidade, mas que poderiam ser melhor explorados. 

Vale destacar a atuação de Cole Sprouse e Lili Reinhart (Jughead e Betty). A química entre os personagens é evidente e ambos conseguem trazer muito realismo aos problemas enfrentados pelos personagens com suas respectivas famílias e consigo mesmos. Funcionam bem juntos ou separados e conseguem ter o carisma suficiente para ganhar o coração do público que torce pelo casal. 

Apesar de ser seu primeiro papel de destaque, Camila Mendes (Veronica Lodge) consegue mostrar grande empenho e nos dá uma personagem que pode ser melhor explorada nas próximas temporadas. Uma curiosidade sobre Camila é que ela é brasileira. A jovem foi criada nos Estados Unidos, mas a mãe é de Porto Alegre e o pai de Brasília. 

Apesar de ser apresentada como a vilã da trama, durante a temporada Veronica não consegue esconder seu lado frágil e sensível, dando ao público um vislumbre de como a vida da moça é extremamente difícil. Madelaine Petsch (Cheryl Blossom) mostra uma personagem que esconde mistérios e se defende de maneiras cruéis mais necessárias e sabe fazer a coisa certa quando é preciso. 

O único que se distancia um pouco do trabalho dos colegas de elenco é KJ Apa (Archie Andrews). O personagem é apresentado como o grande mocinho da trama, com valores e atitudes que engrandecem o herói em que o roteiro propõe que Archie seja. Porém, é difícil acreditar 100% no que o rapaz passa diante das telas e em muitas vezes é possível duvidar do caráter do jovem. 

Grandes nomes como Luke Perry (Barrados no Baile), Mädchen Amick (Twin Peaks) e Skeet Ulrich (Pânico) completam o elenco. Com atuações na medida, eles trazem a experiência que a série precisa. 

Mas nem tudo são elogios. Riverdale peca em não trabalhar melhor os problemas enfrentados pelos adolescentes. A morte precoce de um jovem é o tema principal da trama, mas as conversas, montagem e até a falta de experiência dos atores dão a entender que há muitos assuntos de importância maior, passados batidos em vários episódios. 

O roteiro possui algumas falhas e em muitas vezes não lidam como certas atitudes que deveriam trazer consequências para o futuro, como é o caso de Polly Cooper (Tiera Skovbye), irmã de Betty. A jovem é afastada e escondida a força pelos pais, devido a seu relacionamento com Jason Blossom e em apenas alguns episódios tudo é perdoado. A impressão é que a personagem serve apenas como ligação para certos arcos da história e não recebe a devida importância. 

Apesar de alguns ajustes a serem feitos, Riverdale tem grande potencial e se bem trabalhada, pode se tornar um fenômeno entre o público. 

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Joyce Cardoso

Author: Joyce Cardoso

Vivendo do mantra: eu estou com a Força e a Força está comigo.

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