Resenha – Rei Arthur: A Lenda da Espada

A Lenda da Espada

Recriar uma das histórias mais conhecidas do ocidente não é tarefa das mais simples, mas foi exatamente essa a proposta da Warner em Rei Arthur: A Lenda da Espada, a mais nova adaptação do conjunto de histórias conhecido como lendas Arturianas.

E é no mínimo curioso pensar que o escolhido para tocar o projeto tenha sido o diretor Guy Ritchie, conhecido por ser uma espécie de Quentin Tarantino inglês. Mas depois do bom resultado na modernização de Sherlock Holmes nos dois filmes estrelados por Robert Downey Jr, porque não pegar ainda mais pesado numa produção capa e espada com um olhar contemporâneo?

Misturando as lendas clássicas, um pouco de história real e bastante liberdade poética, A Lenda da Espada se situa em algum lugar no final do século V em Londínio, cidade fundada pelos romanos e posteriormente abandonada com o declínio do Império Romano. Na trama, os bretões são governados por Uther Pendragon (Eric Bana), um rei guerreiro que protege seus súditos com a ajuda da mítica Excalibur, uma espada mágica criada pelo mago Merlin.

Mas o reinado de Uther termina com o assassinato do rei e sua esposa pelas mãos de seu ambicioso irmão Vortigern (Jude Law), que assume a coroa. Anos se passam e Arthur (Charlie Hunnam), o filho de Uther e sucessor legítimo ao trono, cresce nas ruas de Londínio sem saber de sua verdadeira origem. Mas uma série de acontecimentos vão levar o jovem ao encontro de Excalibur e de seu destino.

Reimaginando Arthur e seus futuros cavaleiros como um bando de foras da lei e Londínio como uma cidade portuária e multicultural repleta de mouros/negros, vikings e até mesmo asiáticos, Guy Ritchie transporta o cenário medieval para seu próprio território, onde pode brincar com os elementos o tornaram famoso: diálogos rápidos, edição frenética, porradaria e muita malandragem.

Sobre o lado fantástico da trama, talvez pela primeira vez o publico veja em um filme uma Excalibur que realmente tem poderes e faz toda a diferença em diversos momentos da trama. Curiosamente, a figura de Merlin é substituída pela atriz Astrid Bergès-Frisbey, uma enviada do famoso bruxo para ajudar Arthur e único personagem feminino de destaque da produção.

Talvez a idéia fosse apresentar personagens clássicos das lendas Arturianas como Merlin e Morgana nos próximos filmes, já que o conceito original da Warner era transformar A Lenda da Espada numa franquia. Mas com o tímido desempenho de bilheteria do filme, provavelmente essa idéia está sendo revisada.

Uma pena. Apesar do ritmo truncado e de um protagonista que não faz o público torcer por ele, Rei Arthur: A Lenda da Espada vale o ingresso por sua mistura inusitada de elementos modernos em um cenário medieval, embalado pela incrível trilha sonora de Daniel Pemberton.

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Author: André Morelli

Vida louca e próspera. morelli@popground.com.br

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