Resenha – Planeta dos Macacos: a Guerra

Planeta dos Macacos

Em um primeiro momento ao assistir Planeta dos Macacos: a Guerra, o título parece raso para explicar o que o filme propõe para o espectador. Mas um segundo pensamento desmembra o termo Guerra em algumas situações filosóficas e práticas: a guerra entre os símios e os homens; a guerra entre ser civilizado e selvagem; a guerra interna entre os instintos e a necessidade de evolução; a guerra entre o velho e o novo.

Visto dessa forma, faz mais sentido para entender o desfecho da trilogia, que conseguiu alinhar perfeitamente a história a ser contata no filme Planeta dos Macacos de 1968.

A película começa com os símios capitaneados por um Cesar já cansado e calejado pelos anos de batalha. Ainda escondidos e caçados pelos seres humanos remanescentes, lutam por um lugar e uma vida na qual possam viver em paz.

Cesar vive seus dias em uma dicotomia entre ser o líder que seu bando precisa e os próprios tormentos pessoais. Até que ponto se tornará semelhante a Koba, seu opositor no segundo filme da franquia? Até que ponto conseguirá se libertar do crescente ódio pela raça humana?

Desafios muito humanos e atuais, diga-se de passagem!

Outro personagem a ser destacado é o Coronel interpretado por Woody Harrelson. Uma perfeita alegoria a uma raça humana corrupta e ainda agarrada aos seus dias de glória. O papel remete ao coronel Kurtz interpretado por Marlon Brando em Apocalipse Now ou Leonard Laurence, de Nascido para Matar. Atuação primorosa de Harrelson.

A carga dramática do filme dirigido por Matt Reeves é enorme, principalmente quando Cesar se depara com o Coronel e seus métodos pouco ortodoxos. Um limiar da raça humana. Daquele tipo que faz você torcer contra sua própria espécie.

O tom angustiante do filme é providencialmente quebrado pela presença de um novo personagem, Bad Monkey, que é responsável pelo tom cômico da produção. E também por Nova, uma garotinha muda que se torna companheira dos macacos, traz a inocência e um elo perdido.

Planeta dos Macacos: a Guerra é a conclusão perfeita para a franquia, uma das mais interessantes dos últimos anos. Inventiva, bem dirigida e com roteiro impecável, se destaca no mar de fraquias que temos nos cinemas. Vale muito a pena ser visto.

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Cassia Larrubia

Author: Cassia Larrubia

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