Resenha: Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o filme

Peanuts, o filme

2015 foi marcado pelos 65 anos de nascimento de Peanuts, o icônica tira de jornal criada pelo genial Charles M. Schulz, com sua visão às vezes inocente, às vezes ácida e às vezes até mesmo amarga da infância. E nada melhor para comemorar a data do que o lançamento de Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o filme, longa animado que estreou nos cinemas brasileiros no início do ano.

2015 também marca os 50 anos da estreia de O Natal do Charlie Brown, primeiro especial animado com a turma do Minduim criado por Bill Melendez. E o brilhante trabalho do animador é a base do novo filme dirigido por Steve Martino (Era do Gelo 4).

Prestando uma homenagem tanto a Schulz quanto a Melendez, Martino transporta o público para uma infância congelada no tempo, onde anacrônicos telefones de disco e máquinas de escrever convivem com crianças brincando nos gramados de um subúrbio que deixou de existir a décadas.

Também estão presentes os fantásticos temas jazzísticos criados por Vince Guaraldi, as falas dos adultos feitas por um trombone e até mesmo os grunhidos de Snoopy e Woodstock, dublados por Melendez para as primeiras animações e reutilizados no novo filme.

É acima de tudo visível o esforço de toda a produção em adaptar os recursos da computação gráfica para aproximar o máximo possível o resultado final do característico traço de Schulz e da leveza da animação de Melendez.

Escrita por Craig e Bryan Schulz (filho e neto do cartunista), a trama de Peanuts, o filme mostra a chegada de uma nova criança ao bairro: no caso, estamos falando da Garotinha Ruiva, a eterna paixão de Charlie Brown. Disposto a causar uma boa impressão, Charlie encara a chegada da menina como uma oportunidade única para esquecer seu passado de erros e iniciar uma nova fase. Mas como é de se imaginar, as coisas não serão nada fáceis para nosso anti-herói.

Com uma trama mais movimentada e um Charlie Brown mais generoso do que de costume, fãs puristas podem reclamar que Peanuts, o filme se afastou do material original. A crítica é válida, mas ainda estamos falando de uma animação para cinema bastante estática em comparação a qualquer produção atual, repleta de diálogos e em que um protagonista vive o tempo todo a sombra do fracasso.

E mesmo nos momentos em que a trama abandona os conflitos pessoais de Charlie Brown para entrar no mundo de fantasia do Snoopy e suas batalhas imaginárias contra o Barão Vermelho, Peanuts, o filme está utilizando o mesmo recurso que já vimos tantas vezes nas tiras e nas animações.

Talvez a principal crítica seja de que o filme realmente se foca em Charlie Brown e Snoopy, deixando toda a fantástica galeria de personagens de Peanuts em segundo plano. Mas ainda assim temos ótimos momentos espalhados pela produção como os conselhos de Linus, o comportamento egoísta de Lucy, os devaneios de Sally e até o piano de Schroeder, que surge de forma inesperada para dar o clima das cenas.

Com um apelo nostálgico irresistível para os fãs e um verniz de modernidade para um novo público, Peanuts, o filme é uma grata surpresa. E uma poética lembrança de que com todas as nossas inseguranças, todos nós já fomos em algum momento o Charlie Brown.

Compartilhe!

Author: André Morelli

Vida louca e próspera. morelli@popground.com.br

Share This Post On

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>