Resenha: Okja (Netflix)

Okja

Com roteiro e direção de Bong Joon-ho (O Hospedeiro), Okja traz um impactante questionamento sobre o consumo de produtos de origem animal, corporativismo e o desgaste da sociedade contemporânea, misturando humor, horror e beleza de maneira magistral.

A princípio, a nova produção original da Netflix pode parecer apenas mais um filme sobre a amizade entre uma criança e seu animal de estimação, usando uma narrativa fantástica e repleta de valores morais com os quais o público facilmente se identifica. Mas essa é apenas a linha pela qual toda a trama irá se desenrolar.

A gigante corporação Mirando liderada por Lucy Mirando (Tilda Swinton) descobre no Chile uma nova espécie de porcos gigantes, chamada de superporcos, e que logo é apresentada como um milagre da indústria alimentícia para os problemas atuais: a produção de mais alimentos com menos danos ao meio ambiente, uma preocupação que é, aos olhos do público, um dos valores da empresa.  Para promover a imagem da Mirando, 26 animais são enviados para fazendas em diferentes países e submetidos à cultura local, onde após 10 anos, um concurso premiará o melhor superporco. Passado esse período, somos apresentados à jovem coreana Mija (Ahn Seo-hyun) que junto de seu avô Heebong (Byun Hee-bong), cuida da superporca Okja, que se torna a grande vencedora do concurso e será levada de volta aos EUA, longe de seus cuidadores. Para evitar que isso aconteça, Mija embarca em uma jornada alucinante, onde a verdade é lentamente desvendada.

Através de elementos fantásticos e personagens propositalmente caricatos, somos apresentados aos bastidores da corporação e o tom da trama dá lugar aos horrores de uma sociedade que procura ignorar a origem dos produtos que consomem e a matança cruel para atender a essa demanda. Em Okja, a importância do marketing é absoluta, seja ele pessoal ou empresarial e o que é visto se torna mais importante do que o que é feito, mesmo que a diferença entre ambos seja brutal – e é justamente essa distorção de prioridades que nos faz cometer atrocidades inenarráveis contra tudo o que tocamos, incluindo a nós mesmos, enquanto indivíduos.

Pode soar um tanto pretensioso abordar tantos assuntos delicados em um único filme, mas a inteligência no trabalho do diretor e roteirista sul-coreano garante a grandiosidade e importância de Okja nos dias de hoje. É um filme atraente, divertido, bonito e que traz a (urgente) reflexão sobre o impacto de nossas escolhas cotidianas.

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Natália Borges

Author: Natália Borges

Louca por filmes, séries, teorias da conspiração e coxinha de frango com catupiry.

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