Resenha – Dunkirk

Dunkirk

Por Natalia Borges e Henrique Oliveira

De 25 de maio a 4 de junho de 1940, 400 mil soldados ingleses e Aliados se encontraram a mercê da própria sorte nas praias de Dunkirk, encurralados pelo exército nazista após a invasão do norte da França, vendo todas as tentativas de resgate fracassarem diante de seus olhos. O caos da Segunda Guerra estava apenas começando…

O diretor Christopher Nolan acerta em cheio ao nos transportar para esse cenário caótico, mas sem explorar o heroísmo militar ou expor a distorção da moral em meio à corpos mutilados e sangue, já tão explorados em tantos outros filmes de guerra. Em Dunkirk sequer vemos o exército inimigo e mesmo assim é possível sentir o medo e a falta de esperança que o diretor traz aos personagens do filme.

A proposta do filme é enxergarmos a guerra sob outros pontos de vista e para isso, Nolan aposta numa montagem paralela, colocando lado a lado três personagens em histórias distintas, sempre num mesmo ponto narrativo até convergirem em um grandioso ato final: Em terra, temos os soldados Tommy (Fionn Whitehead), Gibson (Aneurin Barnard) e  Alex (Harry Styles, ex One Direction, atuando surpreendentemente bem), onde nada lhes resta a não ser sobreviver como puderem; no mar temos uma pequena embarcação de lazer conduzido pelo civil Mr. Dawson (Mark Rylance), seu filho Peter (Tom Glynn-Carney) e o adolescente George (Barry Keoghan), que partem da Inglaterra rumo ao resgate dos soldados; e no ar temos os pilotos de spitfighters Farrier (Tom Hardy) e Collins (Jack Lowden).

Além da montagem, Dunkirk foi todo filmado em 70 milímetros e com tecnologia Imax, tornando-o um espetáculo visual magnífico (diga-se de passagem, vê-lo em Imax é fundamental para ter a imersão idealizada pelo diretor) e conta com a genial música de Hans Zimmer (Estrelas Além do Tempo, Batman v Superman, Interestelar), que conduz o espectador através da crescente tensão ao sentimento exato que o filme precisa ).

Curiosamente, o filme não tem diálogos extensos ou esclarecimentos, tão presentes nos filmes anteriores de Nolan, mas sim o amparo da  sonoplastia, que traz o pavor e a sensação de bomba-relógio, onde a morte pode chegar a qualquer instante (o som de um relógio ao fundo deixa a tensão maior ainda).

A crítica se divide entre aqueles que acham que Dunkirk é um dos melhores filmes do Nolan (talvez o melhor filme do ano ou de guerra já feito) e aqueles que dizem que nem tanto, uma vez que a proposital falta de desenvolvimento dos personagens, não lhes dando uma história ou mesmo uma personalidade marcante, dificulta a conexão com o espectador e complica a memória afetiva que teremos deste filme no futuro. Sem sombra de dúvida, se trata de um filme ambicioso e inteligentemente na contramão dos filmes de guerra que estamos habituados a ver e que merece ser visto no cinema.

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Author: Popground

Ao Infinito... e Além. popground@popground.com.br

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