Resenha: Colossal

Colossal

De tempos em tempos, somos apresentados a filmes que fogem do convencional para contar histórias e que graças à sua originalidade, se tornam boas surpresas em meio a um mar de mesmices hollywoodianas. E esse é o caso de Colossal: porque não fazer um drama bem humorado e transformar a narrativa numa grande metáfora?

Partindo desta premissa o diretor e roteirista espanhol Nacho Vigalondo mistura gêneros aparentemente inconciliáveis para contar a história de Gloria (Anne Hathaway) e sua vida completamente fora dos trilhos.

Voltando de mais uma noite de bebedeiras, a protagonista vê sua vida ruir após seu namorado Tim (Dan Stevens) terminar o relacionamento e expulsá-la da casa dele onde ela morava de favor, já que está há um ano desempregada. Sem ter para onde ir, Gloria sai de Nova Iorque e volta para sua pequena cidade natal, onde reencontra seu amigo de infância Oscar (Jason Sudeikis), dono de um bar e que logo lhe oferece um emprego como garçonete, o que acaba piorando ainda mais o seu problema com a bebida. Paralelamente, um monstro gigantesco se materializa e destrói a cidade de Seul, na Coréia do Sul. E para total surpresa de Gloria, ela descobre ter algum tipo de ligação mental com o monstro e demonstra ser capaz de controlá-lo.

Colossal surpreende pelos bons efeitos especiais e sua narrativa “desfocada”, com diversas lacunas lentamente preenchidas, como se o espectador estivesse de ressaca junto com a protagonista e pouco a pouco descobrisse os estragos da noite anterior. O roteiro acerta em cheio nas analogias, como transformar o alcoolismo em um monstro de quase 200 toneladas e traçar um paralelo entre a destruição de uma metrópole e os danos causados a tudo e todos que convivem com esse problema.

O filme pode causar certa estranheza a um espectador desavisado e por isso é importante ressaltar: o filme é uma grande metáfora e não se trata de uma comédia, mas de um drama, cuja leveza se deve ao discurso um tanto simplista de Vigalondo, que opta por expor, sem se aprofundar, em pautas que orbitam os personagens como relacionamentos abusivos, machismo e problemas de auto-estima.

Colossal tem boas ideias e um resultado curioso, que vale a pena ser conferido.

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Natália Borges

Author: Natália Borges

Louca por filmes, séries, teorias da conspiração e coxinha de frango com catupiry.

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