Resenha: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos 01

Por Camila Cetrone

Caso alguém tenha pensado que é só de Harry Potter que se baseia o universo mágico criado pela escritora J. K. Rowling, pensou muito errado. Animais Fantásticos e Onde Habitam marca a expansão de um mundo que vai além da história d’O Eleito. Ou melhor, retrocede, já que o filme se passa em torno de 50 anos antes do nascimento de Potter. A história começava a tomar seus rumos para se tornar o vasto universo que conhecemos hoje. O inimigo era outro e o herói também –e, diga-se de passagem: dessa vez, ele é da Lufa-Lufa, uma das quatro Casas fundadoras da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Animais Fantásticos traz Eddie Redmayne como o simpático Newt Scamander, um bruxo zoologista que cria e estuda animais do mundo mágico. Dessa forma, ele tenta provar que as criaturinhas são inofensivas, ao contrário do que se imagina. Na intenção de levar um de seus animais para seu habitat natural, no deserto do Arizona, ele embarca para Nova York, onde as normas de magia são totalmente restritas para que a sociedade mágica possa viver sem o conhecimento dos não-maj (como americanos chamam os trouxas).

O lufano, já em sua chegada, conhece o não-maj Jacob Kowalski (Dan Fogler), que acaba se envolvendo e conhecendo a magia na tentativa de ajudar Newt a recuperar alguns de seus animais, que começam a fugir de sua maleta e causar estragos no mundo real. E que maleta! Os apetrechos e a habilidade investida de feitiço de expansão de Newt dariam inveja a Hermione Granger. E seu interior encanta e deslumbra por ser um dos poucos ambientes do filme realmente mágicos, já que a trama se concentra em cenários comuns de uma cidade real – e talvez um pouco destruída demais. Diferente de Harry Potter, que passa a maior parte do tempo imerso no universo bruxo.

Aliás, a diferença entre as duas narrativas, mesmo que façam parte do mesmo universo, são nítidas. Com Potter, aprendemos feitiços, descobríamos criaturas e nos entusiasmávamos junto com ele. Acompanhamos seu crescimento pessoal, o desenvolvimento de seu caráter. Fora da tela, alguns cresciam também. Mas Newt já tem todo o conhecimento desse mundo, assim como nós. O personagem age com muita destreza e confiança, sem compartilhar conosco, o público, suas indagações, pensamentos e inseguranças – atitudes comuns do trio de protagonistas nos últimos oito filmes.

Mesmo com todo o entusiasmo que Animais Fantásticos traz, o filme não trata só do lado bom da magia. Rowling insiste em nos mostrar que a obscuridade e o medo também existem em um universo que pensamos ser perfeito, aproximando o real com o fictício. Credence Barebone, interpretado por Ezra Miller, é o personagem que poderia passar despercebido no mundo real. Ele é um dos filhos adotados da líder da Sociedade Filantrópica de Nova Salem, que tem como objetivo expor e matar feiticeiros. Para seu azar, Credence vem de uma linhagem bruxa e, ao se negar a suas origens, se torna uma ameaça para os não-maj e também para si mesmo.

Tenebroso também podem ser os métodos do Congresso Mágico dos Estados Unidos da América (MACUSA), o Ministério da Magia americano, nos ensinando que até na magia, a política e seus membros podem ser, digamos, enganosas e complicadas.

Como previsto, Johnny Depp dará vida, nesta nova fase, ao bruxo Gellert Grindewald, que pode ser comparado ao Lorde Voldemort da saga original. Além de Newt, o personagem de Depp pode ser o gancho para a entrada de Alvo Dumbledore nos próximos filmes. É difícil dizer se o ator fará um bom papel como Grindewald, mas sua inserção em Animais Fantásticos é, mesmo que um pouco previsível, intrigante.

A produção do filme de David Yates (que dirigiu os quatro últimos filmes da franquia Harry Potter) só pecou em termos de efeitos visuais e em tentar inserir um romance entre Jacob e Queenie Goldstein (Alison Sudol). Visualmente, a sensação realista dos efeitos poderiam ser menos artificiais, principalmente nas cenas em que os animais contracenam com os bruxos. É claro que cobras gigantescas e dragões não existem de verdade, mas a luz clara demais tornou a fotografia, em muitos momentos, artificial e um pouco cansativa aos olhos. Já o romance entre o não-maj e a feiticeira foi acolhedor em alguns momentos; mas artificial em alguns outros.

Porém, nada disso deve afetar a experiência de ter a representação desse mundo mais uma vez na grande tela. Ver o símbolo da Warner em preto, tão característico dos últimos inícios da saga, com a música Hedwig’s Theme ao fundo, nos lembra da sensação de nos despedir em 2015, mas nunca de verdade. Rever elfos domésticos, feitiços e até mesmo as Relíquias da Morte é de deixar qualquer um que cresceu com Potter com lágrimas felizes nos olhos. Com Animais Fantásticos, a história renasce e uma nova era se inicia. Resta-nos esperar, com muito anseio, pelo resultado dos quatro filmes que ainda estão por vir.

Compartilhe!
Popground

Author: Popground

Ao Infinito... e Além. popground@popground.com.br

Share This Post On

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>