Resenha – Alien: Covenant

Por Toni Santos

Mais uma vez sob a direção de Ridley Scott, o universo dos xenomorfos recebe um novo capítulo em Alien: Covenant, o sexto filme da franquia e continuação direta do decepcionante Prometheus (2012).

A história mostra os percalços da tripulação da nave colonizadora Covenant, que transporta 2.000 colonos em sono criogênico para um novo e distante planeta. Após um incidente cósmico avariar a nave e levar à perda de membros da tripulação, os sobreviventes captam um sinal misterioso vindo de um planeta próximo, desconhecido, que aparenta ser perfeito para a colonização – de uma maneira que o destino original da viagem jamais seria. Assim, a tripulação parte para investigar a origem do sinal e a viabilidade de estabelecer a colônia nesse novo mundo, ao invés de passar mais 7 anos viajando, submetidos ao risco de novas avarias, mortes e a um planeta difícil de dominar.

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O filme tem um começo promissor, relevando detalhes sobre a criação de David (Michael Fassbender), o notório androide de Prometheus, em uma cena tensa que mostra sua ativação e primeira interação com seu inventor, Peter Weyland (Guy Pearce). Fassbender também interpreta Walter, o androide que acompanha a tripulação da Covenant. A diferenciação dos personagens é conduzida de forma competente pelo ator.

Os membros da tripulação, os riscos que correm e a as perdas que sofrem são mostrados de forma cativante, com destaque para Daniels, a protagonista interpretada por Katherine Waterston e por Tennessee, o carismático piloto interpretado por Danny McBride. Mesmo sem receberem muito tempo de exposição, os outros personagens e suas relações são estabelecidas de forma interessante. Erros humanos são cometidos – como sempre são em toda a história da franquia – mas por razões emocionais compreensíveis, ao invés do festival de incompetência e burrice demonstrado pela tripulação de Prometheus no filme anterior.

Infelizmente, a qualidade inicial não se sustenta ao longo da trama. A narrativa sofisticada logo é substituída por violência e gore que falha em gerar medo, criando apenas sustos rápidos. Todas as reviravoltas da última hora de filme – quando terminam as revelações e começa o inevitável conflito com o monstro – são previsíveis para quem tenha visto sequer um filme da franquia, mostrando que o maior problema de Alien: Covenant é ser uma prequel que não consegue inovar ou se livrar do que os filmes originais já fizeram antes. E fizeram melhor.

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Falando em revelações, a origem do xenomorfo é completamente exposta nesse filme, ao mesmo tempo fundamentando um arquivilão inquestionável e cheio de potencial para a franquia… e eliminando completamente o mistério e o escopo cósmico, quase lovecraftiano, que sempre permeou todas as aparições da criatura. Não é uma troca justa. Todos os filmes anteriores se tornam um pouco menores com esse desenvolvimento. Quando se fala em terror cósmico, nem todas as perguntas precisam ser respondidas.

Alien: Covenant estreia em 11 de maio em todo o Brasil. Confira abaixo o trailer mais recente.

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Author: Popground

Ao Infinito... e Além. popground@popground.com.br

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