Resenha – A Chegada (Arrival)

A Chegada

Com direção do cultuado Denis Villeneuve (Sicario), A Chegada é uma grata surpresa que consegue trazer ar fresco e novas idéias a um tema recorrente em Hollywood, os filmes em que alienígenas chegam ao nosso planeta.

Inspirado no conto Story of Your Life do escritor Ted Chiang, a trama de A Chegada mostra o surgimento de 12 gigantescas estruturas monolíticas, que passam a flutuar de forma enigmática em diferentes partes do planeta.

Depois da onda inicial de pânico que se espalha pelo globo, o governo dos Estados Unidos isola a área ao redor do artefato localizado em seu território e estabelece uma base militar e de estudos, que conta com a presença do físico teórico Ian Donnelly (Jeremy Renner) e da especialista em lingüística Louise Banks (Amy Adams).

Ao contrário da grande maioria dos filmes do estilo, a linguagem é o grande protagonista de A Chegada. Com cultura, conceitos e até mesmo estruturas absolutamente diferentes de pensamento, humanos e alienígenas se mostram incapazes de entenderem um ao outro, o que dá início a um lento processo de aprendizagem de cada lado, para culminar na pergunta que sustenta a trama: porque os alienígenas vieram até nosso planeta e o que eles querem de nós?

Enquanto Louise e sua equipe avançam para compreender e serem compreendidos pelos alienígenas, outras equipes de cientistas ao redor do globo estabelecem iniciativas semelhantes. Mas se no início as informações são compartilhadas, revelações sobre o propósito dos alienígenas e interferências políticas levam as equipes a romperem seu tratado de cooperação.

Em um clima de pressão cada vez maior, Louise precisa correr contra o tempo para evitar que algum dos exércitos da Terra inicie um ataque contra os alienígenas, dando início a uma guerra que a humanidade não pode vencer.

Alternando tensão e discussões filosóficas, A Chegada entrega um filme de ficção científica disfarçado de blockbuster, o que deve tornar a produção mais acessível ao grande público. Mas mesmo que o filme tenha uma série de méritos pessoais, é difícil não olhar para sua narrativa lenta e fragmentada, seu uso restrito de cores, sua trilha sonora minimalista e suas discussões sobre o tempo sem lembrar do Interestelar de Christopher Nolan.

Mas comparações a parte, Villeneuve e sua poética alegoria sobre o poder da linquagem fazem de A Chegada um dos grandes lançamentos de ficção científica dos últimos anos e um sério candidato a clássico do gênero. E fica o desejo para que Hollywood continue a nos oferecer produções que não tenham medo de fugir do lugar comum.

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Author: André Morelli

Vida louca e próspera. morelli@popground.com.br

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