Entrevista: Eduardo Marques (Mad Max: Estrada da Fúria)

Aproveitando sua passagem pelo Brasil para promover Mad Max: Estrada da Fúria, a equipe do Popground entrevistou o piloto e dublê Eduardo Marques, único brasileiro envolvido no épico de destruição pós-apocalíptica do diretor George Miller.

Você poderia falar sobre como foi o começo de sua carreira como piloto e dublê?

Queria ser piloto desde infância, não queria saber de outra coisa, e quando a idade permitiu comecei aqui mesmo em São Paulo, fazendo o curso de pilotagem com o Roberto Manzini, em Interlagos. Entramos no Campeonato Paulista e as oportunidades me levaram para os EUA para correr primeiro na F- Ford e depois em várias outras categorias.

Entre uma corrida e outra trabalhava como instrutor em escolas de pilotagem. Na escola de Rally onde dava aulas um coordenador de dublês estava com um grupo, me viu pilotar e me convidou para fazer alguns trabalhos. Graças a ele hoje fiz parte do Mad Max, entre outras ótimas oportunidades.

O mais importante foi o apoio incondicional da minha família, já que pilotar era só um sonho de criança.

 

Atualmente você é um dos pilotos do Lights, Motors, Action! Extreme Stunt Show, da Disney’s Hollywood Studios. Como são esses shows e qual é a sua rotina?

O trabalho com os shows da Disney é outra oportunidade fantástica. Fui contratado como piloto, sendo o primeiro estrangeiro e único brasileiro, mas hoje além de continuar pilotando tenho outras responsabilidades, incluindo coordenador da ação durante os shows, treino de pilotos, o quebra-cabeça da escala dos profissionais nos shows diários… por isso meu dia a dia nunca é monótono.

Chego de manhã, temos reuniões, preparação física, e entramos nos carro para um treino de segurança, para conferir carros, equipamentos e repassar coreografia com as condições de piso do dia.

Temos um intervalo e os shows começam, são 40 minutos de pura adrenalina e logo depois da apresentação (quando tenho tempo) vou conversar com o público que está deixando a arena. Eu acho ótimo esse contato com o público, são mais de 4 milhões de pessoas por ano só no nosso show.

 

Como surgiu o convite para viajar até a Namíbia para ser um dos pilotos do novo Mad Max?

O convite para trabalhar em Estrada da Fúria veio através do coordenador e diretor de unidade, Mr. Norris. Ele já havia trabalhado comigo com carros de rally e sabia da minha participação em competições de Rally, Rallycross no X-Games e Off road, então me ligou quando precisou de pilotos que poderiam trabalhar em alta velocidade e em terrenos irregulares de todo o tipo, além do trabalho de precisão.

 

Pilotar no deserto todo tipo de veículo modificado em meio de um monte de explosões não deve ter sido fácil, já que Estrada da Fúria não utilizou efeitos digitais. Como foi a experiência?

A experiência de pilotar para o Mad Max na Namíbia foi impressionante, fiquei por lá quase 3 meses imerso 6 dias por semana em um mundo surreal criado pela produção. Já os carros foram muito bem preparados o que ajuda muito, mas os vários tipos de terrenos e o clima trouxeram desafios para todos nós, principalmente quanto à visibilidade e a necessidade de adaptação rápida da técnica usada para conseguir dar vida à visão que a produção tinha.

Os carros são praticamente personagens com funções específicas dentro daquela sociedade, então durante as cenas o nosso trabalho incluía alinhar em alta velocidade para os ângulos corretos das câmeras e manter a animação necessária para cada veículo/ personagem. Não tenho como agradecer a oportunidade de trabalhar com os melhores do mundo do cinema.

 

Já existe algum outro projeto para cinema em vista?

Tenho algumas propostas, mas tenho que coordenar o tempo com os shows na Disney e as etapas de Rally, mas quem sabe não vou para a Namíbia encontrar o Max e a E    strada da Fúria outra vez…

Estrada da Fúria 01

A esquerda, um dos veículos pilotados por Eduardo durante as filmagens de Mad Max.

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Author: André Morelli

Vida louca e próspera. morelli@popground.com.br

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