Corra! – Resenha

Marcando a estreia do roteirista e diretor Jordan Peele no gênero, Corra! é o filme de terror psicológico mais falado do momento, chamando a atenção ao abusar de eventos cotidianos e críticas sociais para contar uma história a cada momento mais absurda.

A trama

Após quatro meses de namoro, Rose (Allison Willians) decide levar Chris (Daniel Kaluuya) para conhecer seus pais, que moram em uma propriedade afastada da cidade onde moram. Antes mesmo de fechar a mala, Chris pergunta se os pais de Rose sabem que ele é negro e é aí que a tensão começa a ser construída e entendemos a forte questão racial que acompanhará toda a trama.

Ao conhecermos a família Armitage, aparentemente livre de preconceitos, entendemos para onde a crítica do filme aponta, batendo forte no preconceito velado existente na sociedade “liberal” em que vivemos. Dean Armitage (Bradley Whitford), pai de Rose, frisa que votaria no Obama uma terceira vez se assim fosse possível, mas deixa escapar em sua fala pequenos deslizes preconceituosos, aparentemente inocentes.

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Tudo e todos naquele ambiente soam estranhos: das curiosidades absurdas sobre sua raça ao comportamento dos únicos negros presentes além de Chris, da impulsividade assustadora do irmão de Rose, Jeremy (Caleb Landry Jones) à frieza da mãe Missy (Catherine Keener), passando pela chegada de um grupo de desconhecidos para a festa anual em homenagem ao avô de Rose e Jeremy, ajudam a alimentar a paranoia de que algo muito bizarro está prestes a acontecer. A sensação é de que estamos diante de um episódio estendido de Black Mirror, mas não é o que acontece: Corra! segue original do começo ao fim, trazendo um plot twist interessantíssimo que amarra todas as pontas, entregando um final surpreendente.

Sem recorrer aos clichês típicos dos filmes de terror, o roteiro acerta em cheio trazendo personagens inteligentes, celulares que funcionam (!!!) e violência na medida e hora certas. O tom de humor trazido pelo melhor amigo do protagonista, Rod Willians (LilRel Howery), quebra a tensão e nos faz rir minutos depois de suar frio. Esse alívio cômico não é uma unanimidade entre os críticos, mas é a assinatura do diretor, comediante conhecido por suas esquetes que subvertem os estereótipos dos personagens negros americanos. A combinação é, no mínimo, interessante dentro de um filme como Corra!

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Outro mérito do filme está nas atuações impecáveis de todo o elenco. O diálogo insano de Chris Georgina (Betty Gabriel), onde ela ri e chora ao mesmo tempo com close fechado em seu  rosto, causa calafrios. Mas o destaque vai para a performance única de Kaluuya e a cena mais famosa do filme, onde ele chora com os olhos abertos. Sem dúvidas, é um show a parte!

Corra! é um filme de terror com coragem de apostar em momentos cômicos e debater o preconceito racial, conseguindo ser excelente em tudo o que se propõe fazer. Sem dúvidas um dos melhores filmes do gênero.

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Natália Borges

Author: Natália Borges

Louca por filmes, séries, teorias da conspiração e coxinha de frango com catupiry.

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