Christopher Lee: pérolas escondidas

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Morre o homem, fica a lenda.

Claro que a morte, seja de gente próxima ou famosa, é algo triste.

Mas no caso do querido Mr. Lee, não acho trágico.

Com uma vida plena e uma carreira vasta, Christopher Lee fez tudo o que queria. E deixou pérolas cinematográficas eternas para o nosso deleite. Foi-se dignamente aos 93 anos, adorado por todas as gerações de cinéfilos.

Resumir sua carreira, mesmo que fosse falar brevemente de cada trabalho, daria um livro… Então, resolvi separar alguns trabalhos significativos e desconhecidos do grande público, mas que mostram o talento, versatilidade e importância desta lenda.

Falar do fantástico Saruman, da saga Senhor dos Anéis, do Conde Dookan de Star Wars ou até mesmo do impiedoso pai de Willy Wonka no remake de A Fantástica Fábrica de Chocolates, é chover no molhado. Tudo está fresco na memória de todos, além de serem títulos de fácil acesso.

Por isso acho importante resgatar títulos que mostram como a evolução do cinema fantástico e da própria carreira de Lee estão interligados.

O Vampiro da Noite

O Vampiro da Noite

É inevitável falar de Drácula, mas é importante também frisar o estúdio que praticamente definiu a estética do terror, sendo referência até os dias de hoje: a Hammer Films. A tragetória de Lee e dos estúdios tiveram uma ascensão paralela, uma vez que o primeiro filme colorido do estúdio teve Lee como protagonista: uma releitura de A Maldição de Frankenstein, de 1957. Foi também o primeiro filme de uma parceria que se tornaria duradoura: atuar ao lado de Peter Cushing.

Finalmente, com O Vampiro da Noite, de 1958, a Hammer e Lee fazem a versão definitiva de Drácula, deixando o lado caricato (não por isso menos querido) do vampiro de Bela Lugosi. O Drácula de Christopher Lee é sedutor, silencioso, sangrento e assustador.

E quando falamos de Drácula é inevitável falar da produção de Francis Ford Coppola de 1992, na qual Gary Oldman dá vida ao vampiro. Muitos consideram este o melhor. E sinceramente não acho uma classificação injusta. Injusto é ignorar a existência de O Vampiro da Noite. Oldman foi sim, fantástico (como sempre), e convenhamos que interpretar Drácula num mundo onde já existe uma versão de Christopher Lee deve ter sido um baita desafio. Ambos valem a pena, mas O Vampiro da Noite da Hammer é UM CLÁSSICO!

The Whip and The Body

The Whip and The Body

Saindo de terras vampirescas, e entrando na terra dos grandes mestres do horror italiano. Em 1963, sai mais uma pérola de Mario Bava: The Whip and The Body (traduzido para o português como Drácula, O Vampiro do Sexo…). Lee está sensacional como um mauricinho que foi escorraçado pela família e volta pra causar discórdia e transar com a mulher de seu irmão (e também dar umas chicotadas nela). Filme sensacional do começo ao fim, com takes, cores e reviravoltas que só o gênio Bava é capaz de fazer. The Whip and The Body é um dos meus preferidos da carreira de Christopher Lee.

* deu pra sacar porque deram este nome ridículo em português, né? “Vamos chamar de Drácula, já que tem o Christopher Lee”. Mas o filme não tem absolutamente nada a ver com vampiros.

As Bodas de Satã

As Bodas de Satã

Outro filme do coração é As Bodas de Satã (The Devil Rides Out – 1968).

Este filme marca uma época onde o capeta estava começando a dominar o cinema. E a Hammer, claro, entrou na onda com muita propriedade, estilo e estética. Com um roteiro adaptado pelo incrível Richard Matheson, vemos aqui um Lee mocinho, que usará de toda a sua coragem e sabedoria pra combater uma seita comandada pelo MAGNÍFICO Charles Gray (o investigador hilário de Rocky Horror Picture Show). Satânico!

The Wicker Man

The Wicker Man

Pra terminar, o meu preferido: O Homem de Palha (The Wicker Man – 1973).

Este filme é absurdo, controverso, pagão até a medula e traz Christopher Lee como o líder de uma comunidade que vive isolada numa ilha, adorando deuses da fertilidade. O sexo livre é ensinado no ensino fundamental e rituais de adoração acontecem por todos os lados. Um policial católico fervoroso (e virgem) chega para investigar o desaparecimento de uma menina da comunidade e acaba entrando numa rede de acontecimentos bizarros (bizarros mesmo). O desfecho é ABSURDO, com direito a um Christopher Lee travestido, dançando e celebrando com os aldeões. Foi um dos papéis preferidos de toda a sua carreira. Fora que ele acreditou tanto no projeto que não cobrou cachê, já que os recursos eram bem escassos.

* ah, ignorem o remake infeliz com Nicholas Cage, de 2006.

Por enquanto é só (foram quatro filmes, somente… faltam uns 200).

Fica a minha homenagem ao grande Christopher Lee e seu infinito talento.

Fica uma história a ser explorada.

E ficam as dicas!

 

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Dave Santos

Author: Dave Santos

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